Rastreando as trajetórias de uma imagem…

[2016/05/04] Uma amiga postou no Facebook…

13166055_10208610905685622_3343123877506711758_n

[2016/04/04 Kaushik] Encontrei a mesma imagem no post A Great Analyst’s Best Friends: Skepticism & Wisdom! de Avinash Kaushik… Ele diz que foi feito por David Somerville, baseado num painel original de Hugh McLeod.

[créditos da variação]

[créditos do original]
[2014/04/28 Random Blather] Em vez de linkar a Somerville, o link “DS” de Kaushik leva ao post Information isn’t Power escrito por Douglas Moran em seu blog, Random Blather. [2014/01/16 @hughcards] O link “HM” de Kaushik leva a um tweet de Hugh McLeod. Foi onde achei a assinatura @gapingvoid na imagem também e o tal painel original de dois quadros.
[? Somerville] O link do Random Blather realmente leva ao site de David Somerville, mas somente ao raiz (e hoje parece ter sido totalmente redesenhado) – então parece que perdemos a trilha por aí… [2014/01/16 @gapinvoid @hughmcleod] Já o link do tweet em Moran, embora leve a @gapingvoid, é redirecionado para @hughmcleod (com mesmo id de tweet). Não sei porque alguém alteraria o nome de usuário no URL, mas parece que foi o que houve… @gapingvoid ainda existe (e existe muito). Mesma imagem de @hughcards
[2015/06/22 @gapingvoid] @gapinvoid reposta com frequência suas imagens (que são muito boas!). Achei essa imagem repostada nesse dia. Nesse dia, inclusive, era anunciada a venda de 250 impressões… No link, diziam que tinha virado meme, inclusive ganhando um tumblr (agora fora do ar).
B87vwjOCEAAC5sY
[2015/03/02 @gapingvoid] Não fui muito a fundo (scroll tem limites), fui até aqui, quando achei novamente.

 

PS:

[2016/02/17 @polarworld] Ainda achei essa variante num tweet do Huw Lewis-Jones…

CbbJaG0XEAAOsoW

Tem outras por aí mas nem botei… 😛

Notícias relevantes 2016

Esse post é atualizado periodicamente. Adicione aos favoritos e volte de vez em quando!
Troquei esse projeto pela redezinha.

Abril
  • 6: Bolsistas da Faperj passam sufoco no exterior sem pagamento de bolsas [G1]
  • 5: Governo suspende bolsas do CNPq para pós-graduação no exterior [O Globo]
Março
  • 3: Meninas Cantoras de Petrópolis, RJ, anuncia encerramento do coral [G1]
Fevereiro
  • 4: TCU proíbe Lei Rouanet para projetos com fins lucrativos e autossustentáveis [Folha]
  • 4: Diretora do MIT despede-se para iniciar uma universidade sem salas de aula [Estadao]
Janeiro
  • 4: Universidades brasileiras criaram novo instrumento musical, o Sixxen [MundoBit]

PS de 2015: Muito artigo, pouco risco [Pesquisa – FAPESP]

Está nascendo um novo software…

(…mas não é no morro do pau da bandeira :( )

Musicologia é um bicho estranho nas universidades brasileiras. Tá certo que todo mundo que entra pra faculdade de música ou já sabe BEM o que quer cursar ou vai meio num chute. Na pós-graduação, isso se repete com os órfãos da graduação. Falando de uma forma bem grosseira, quem foca em tocar geralmente vai pra linha de Práticas Interpretativas, quem prioriza dar aulas olha pra linha de Educação & Música, compositores (e analistas, muitas vezes) para Composição… e (Etno)Musicologia normalmente recebe um pessoal que realmente quer fazer algo na área, mas que parece ter encarado seriamente o nome “musicologia” pela primeira vez naquele momento (comigo, e com um bom número de conhecidos, não foi diferente).

A primeira impressão é (ao menos, a minha foi e vi isso acontecendo com muitos colegas) que musicologia seria a mesma coisa que a disciplina ‘história da música’, da graduação. Isso seria o mesmo que dizer que Práticas se resume a ler notas numa partitura, pegar um instrumento e tocar as notas. Depois de dois semestres no mestrado, tendo aula com professores incríveis, meu ímpeto com Musicologia passou a ser um só: saber que diabo de coisa que é Musicologia.

Sem viagens filosóficas em torno da ESSÊNCIA MUSICOLÓGICA. Bem mais simples que isso, passei a procurar os autores mais reconhecidos (naquela de discurso de autoridade – extremamente efetivo nesse âmbito, feliz ou infelizmente), ler o que eles escrevem sobre a disciplina, ver que questões trazem, como abordam, aquela coisa toda. Nessas, reconheci o eterno embate quanti vs. quali na musicologia (ou talvez deveria dizer “nas musicologias”) e a bem-vinda superação da questão (pra alguns) a partir dos métodos mistos. Pessoalmente, nesses últimos dois anos e meio, tenho visto que pesquisas/análises/estudos mais exaustivos utilizam métodos mistos. Alguns trabalhos interessantes, principalmente sobre música brasileira nos séculos XIX e XX, têm passado até mesmo por levantamentos quantitativos essenciais, como listagens de pessoas ou peças musicais, às vezes quase como uma pura catalogação. É um pouco bruto demais (talvez nem fosse necessário ser da área de música pra fazer isso, exatamente), mas listagens desse tipo são incríveis pontos de partidas e “mapas” para os posteriores estudos permitidos por eles, sejam quanti, quali ou mistos.

Nessas leituras, principalmente nas do último semestre, me impressionou o número de ferramentas de análise assistidas por computador empregadas por musicólogos, analistas e compositores de renome. [alerta: vários sites que te lembrarão os anos 90] Humdrum, Music21, OpenMusic, Patchwork, PWGL, RUBATO [continuação do alerta: por favor, clique neste último]… não diria que foi um mundo se abrindo. Foram vários. Cheguei até a escrever um pequeno plugin para MuseScore (dá pra fazer a mesma coisa com Finale e Sibelius, mas o código aberto me atrai). A ferramenta que mais experimentei foi o OpenMusic. Achei incrível como ele alia programação visual (algo que muitos músicos conhecem de plataformas como MAX, Pd e afins) com tarefas simples de programação (com que estou acostumado principalmente pela minha prática quase diária com PHP, mas também de longa data…). Se você tem uma nota de altura X e literalmente soma um tom a ela, você fica com uma nota segunda acima. Simples, não? O melhor dessas plataformas é como elas te levam a fundamentos bem estruturados para trabalhar dados de música. Nisso, conheci midicents, por exemplo. É estranho que, depois de quase 15 anos lidando com midi (de maneira bobas, pelo visto), eu não conhecesse midicents. Antes tarde do que nunca! No exemplo anterior, um dó central (6000mc) somado a um tom (+200mc) gera um ré³ (6200mc). Se você inverte o intervalo, tem 6000mc + (-200mc) = 5800mc, ou Sib. Muito mais fácil de trabalhar em programação do que nome de nota…

O que me preocupou com o OpenMusic foram 1) um alerta de que ele não era mais mantido (o site diz 1998 – 2013 sobre o software embora o site mesmo tenha sido atualizado há nove meses) e 2) a própria dificuldade de interface do programa, que parece parada lá por 2000-2002 (pequenas coisas, como manter objetos em dimensões adequadas ou organizar visualmente um patch BEM, são tarefas um tanto quanto… difíceis, QUANDO POSSÍVEIS). Ficar com essa caixa preta de um aplicativo de desktop também é um pouco temeroso, ainda mais sem suporte. Um belo dia tudo sai do ar… Exportar algo sempre pode ser complicado, ainda mais com formatos melhores surgindo no mundo e não surgindo no OM.

Trabalhar com MuseScore também me abriu os olhos pro MusicXML, padrão interplataformas de dados musicais. Para um leigo, se me permitem, é um super arquivo formato midi. As vantagens são várias, incluindo diversos elementos visuais da partitura (metadados como título e compositor, nomes dos instrumentos, etc) e coisas importantíssimas como a diferenciação entre notas homônimas (isso decretou, pra mim, a morte dos .midi como transmissores de dados). Testei abrir um mesmo MXML no Finale, no Sibelius e no MuseScore e, tirando certas configurações de cada software, a música veio exatamente igual (ligaduras de frase, articulações, texto, quebra de sistema, etc).

Nisso, passei a pensar num pequeno aplicativo que respeitasse três princípios:

  • Foco de análise na notação (desculpem, caros arquivos de áudio)
  • Modular
  • Escrito em PHP (minha zona de conforto + possibilidade de web *E* aplicativo para desktops *E*, recentemente, android)

Depois de dez dias brincando com isso, como um hobby, cheguei a uma versão inicial de um aplicativo! Aê! Tenho programado em inglês, porque um belo dia pretendo abri-lo à comunidade internacional (muito mais pra receber um auxílio no desenvolvimento do que pra dominação mundial (ou não)). Até agora, ele realiza funções básicas e algumas já intermediárias:

  • contagem de compassos
  • contagem de partes (traduzindo de MusicXML, contagem de pentagramas)
  • contagem de notas e pausas escritas
  • contagem de notas e pausas soadas (duas pausas seguidas = uma pausa só)
  • extração das alturas de cada parte
  • cálculo dos intervalos entre as alturas de cada parte (olha aí as prévias de buscas por desenvolvimentos motívicos…)
  • extração das durações de cada parte
  • cálculo de um “ritmo comum” a todas as partes (se uma voz tem uma mínima e a outra duas semínimas, ambas as vozes podem ser escritas em duas semínimas – as da primeira voz ligadas)

Abaixo, seguem algumas imagens dos resultados obtidos a partir dos primeiros oito compassos do 15º quarteto de cordas (KV.421) do Mozart. Edições do quarteto, claro, estão no IMSLP [link direto pra partitura]. Tenha em mente que usei uma edição em XML, então talvez haja alguma diferença (mas, batendo o olho, acho que não).

q

O quadro inicial com as coisas mais simples que uma análise precisa: quantidades de partes, compassos, notas e pausas. O prefixo “Real” significa quantas notas/pausas diferentes soam, e não quantas estão notadas.

 

v

Gráfico de alturas tocadas pelo Violino 1 (o gráfico em si foi gerado no Excel, a partir dos dados extraídos do aplicativo. Sinceramente, só vou me preocupar com visualizações muito no futuro 😛 ).

 

p

Alturas utilizadas por cada um dos instrumentos. A opacidade de cada altura é dada pelo número de vezes que foi tocada (não consegui concluir qual das duas versões tinha melhor contraste pra tela, então fiz o upload das duas).

Referências para um novo banco de dados (links)

SRDIGITAL: proposta de um modelo baseado na linguagem natural e controlada como instrumentos de apoio ao agente computacional do processo de referência (Dissertação) – Patrícia da Silva Moreno e Souza

Vocabulário controlado para indexação de partituras de música brasileira: proposta de uma estrutura básica (artigo, extraído de dissertação) – Ivanise Vitale Cardoso

A informação na música impressa: elementos para análise documental e representação de conteúdos (artigo) – Hugo Carlos Cavalcanti, Maria Auxiliadora Carvalho

Sobre as “flautas eco”

Ou “flautas em eco”, ou “flautas de eco”.

  • Richard Griscom and David Lasocki. The Recorder: A Research and Information Guide. New York: Routledge,2003 – http://www.gardane.info/immagini_link/fiauti_decho_controversy.pdf (Google Books contém a edição de 2009)
  • David Lasocki. Paisible’s Echo Flute, Bononcini’s Flauti Eco, and Bach’s Fiauti d’Echo – http://www.jstor.org/stable/842261

Primeiras ocorrências de música policoral na Itália

Cidade Ano 2 órgãos 2+ coros Diálogo polic Spezzati Autores
Milão   1466[C,p.2]        
Bergamo 1536 (1541-2)   S (S) (S) Jeppesen, 38 (Carver, 20)
Bologna 1550+-   S S   Carver, 20
Padua 1525- (1557-) 1490[separados em 1539.C,p.2] S S   D’Alessi, 190 (Carver, 20)
Verona 1530+-, 1544ctz   S S   Carver, 19 (D’Alessi, 205)
Treviso 1521 (1524)   S S S (D’Alessi,203)
Pesaro 1475   S S   Arn,59-4,Car,1
Balinghem 1520   S N N Carver, 2
Florença 1529   S S   Carver, 3
Ferrara 1529,1565   S     Carver, 3
Toledo 1539   S S S Stevenson, 29
Veneza 1550 1490[C,p.1] S     Bryant1981,167
Loreto 1552 1563[C,p.2] S S S Carver, 2 (D’Alessi, 204!)
Munique 1568   S S   Carver, 3
Sevilha 1570   S     Carver, 1

Referências (des)encontradas

As referências abaixo não puderam ser encontradas no Brasil, ou importadas por motivos de quantidade de vezes a serem consultadas, tempo hábil e/ou prioridade de dinheiro.

Alfieri, E. 1970. ‘La cappella musicale di Loreto – dalle origini a Costanzo Porta (1507-1574)’. Quadrivium, 11/ii: 5.
Anthon, Carl. 1943. ‘Music and musicians in Northern Italy during the sixteenth century’. Unpublished dissertation, Harvard University.
D’Alessi, Giovanni. 1954. La Cappella Musicale del Duomo di Treviso (1300-1633). Treviso.
Gamba, B. 1836. Ordine delle Nozze dell’Illustrissimo Signor Missier Constantio Sforza…1475. Venice
Godefroy, T. 1649. Le Cérémonial français. Paris.
Kimmel, William B. 1942. ‘Polychoral Music and the Venetian School’. Unpublished dissertation, Eastman School of Music, Rochester, NY.
MacClintock, Carol, 1966. Giaches de Wert (1535-1596): life and works. American Institute of Musicology.
Nutter, David. 1977. ‘The Italian polyphonic dialogue of the sixteenth century’. Unpublished dissertation, University of Nottingham.
Troiano, Massimo. 1568. Discorsi delli trionfi, giostre, apparati, é delle cose più notabile fatte nelle sontuose nozze, dell’illustrissimo & eccellentissimo Signor Duca Guglielmo… Munich.

Festival de São Roque – por Thomas Coryat, em Crudities (1611)

[x] representa o número da página na edição de 1905. O relato é de 1608.

[390] The second roome is the place where this festivitie was solemnized to the honour of Saint Roch, at one end whereof was an Altar garnished with many singular ornaments, but especially with a great multitude of silver Candlesticks, in number sixty, and Candles in them of Virgin waxe. This feast consisted principally of Musicke, which was both vocall and instrumental, so good, so delectable, so rare, so admirable, so superexcellent, that it did even ravish and stupifie all those strangers that never heard the like. But how others were affected with it I know not; for mine owne part I can say this, that I was for the time even rapt up with Saint Paul into the third heaven.Sometimes there sung sixteene or twenty men together, having their master or moderator to keepe them in order; and when they sung, the instrumental musitians played also. Sometimes sixteene played together on their instruments, ten Sagbuts, four Cornets, and two Violdegambaees of an extraordinary greatness; sometimes tenne, sixe Sagbuts and foure Cornets; sometimes two, a Cornet and a treble violl. Of those treble viols I heard severall there, whereof each was so good, especially one that I observed above the rest, that I never heard the like before. Those that played upon the treble viols, sung and played together, and sometimes, two singular fellowes played together upon Theorboes, to which they sung also, who yeelded admirable sweet musicke, but so still they could [391] scarce be heard but by those that were very neare them. These two Theorbists concluded that nights musicke, which continued three whole howers at the least. For they beganne about five of the clocke, and ended not before eight. Also it continued as long in the morning: at every time that every severall musicke played, the Organs, whereof there are seven faire paire in that room, standing al in a rowe together, plaied with them. Of the singers there were three or foure so excellent that I thinke few or none in Christendome do excell them, especially one, who had such a peerelesse and (as I may in a maner say) such a supernaturall voice for such a privilege for the sweetnesse of his voice, as sweetnesse, that I think there was never a better sing in all the world, insomuch that he did not onely give the most pleasant contentment that could be imagined, to all the hearers, but also did as it were astonish and amaze them.(…) [392] These musitians had bestowed upon them by that company of Saint Roche an hundred duckats, which is twenty three pound sixe shillings eight pence starling. Thus much concering the musicke of those famous feastes of St. Laurence, the Assumption of our Lady, and Saint Roche.

CORYAT, Thomas. Coryat’s Crudities. Original de 1611. Glasgow: James MacLehose and Sons, 1905.